Mamar, dormir, chorar

Nesse comecinho de vida a visão é o menos desenvolvido dos cinco sentidos do bebê, afinal, ela não foi exigida durante o período da gestação. Ele enxerga tudo embaçado e não distingue o contorno do rosto da mãe ou de objetos distantes, pois é míope. Seu olhar é atraído apenas por cores e movimentos. Já a audição é bem definida, uma vez que o feto ouve a voz da mãe desde o quinto mês de gestação – consequentemente, logo nos três primeiros dias após o nascimento, o recém-nascido já pode reconhecê-la.Soluços são comuns: sinal de frio ou de que o bebê está engolindo ar enquanto mama. É importante colocá-lo para arrotar. A musculatura é pouco desenvolvida e os reflexos, involuntários.
Neste primeiro mês, ao tomar um susto, muitas vezes o bebê abre e balança os braços, como uma borboleta que bate as asas. São 28 dias em que ele vai praticamente dormir e mamar, enquanto seu corpinho ganha força e a visão do mundo vai ficando mais nítida.
Dica do especialista

Estímulos visuais e sonoros são bem-vindos. Móbiles coloridos e sonoros e conversas ao pé do ouvido ajudam o recém-nascido a desenvolver a visão. Diga palavras positivas, como “Você é lindo, amado e forte”. Mesmo sem entender, é um recado que fica registrado no inconsciente da criança.

Entre sorrisos e cólicas

Será que ele está sorrindo? Sim, está. Uma das marcas do primeiro mês de idade é o “sorriso social”. O bebê reconhece os mais próximos e reage às gracinhas. Isso também indica que o lado psíquico está se desenvolvendo no ritmo certo. A visão é cada vez mais nítida, pois ele passa a distinguir o mundo em 3D. O pescoço vai ficando mais durinho – o bebê consegue virar a cabeça quando ouve uma voz conhecida, por exemplo.Também é a fase das cólicas. Alguns hormônios responsáveis pela maturidade do aparelho digestivo ainda não foram liberados, causando o desconforto. A alimentação da mãe que está amamentando afeta a saúde do bebê. Se for saudável, pode combater as cólicas.
É importante cuidar bem das datas das vacinas, porque delas depende a imunidade, que afeta o crescimento. Se adoecer, o desenvolvimento dele fica comprometido.
Dica do especialista
Para evitar cólicas, enquanto estiver amamentando, evite ingerir alimentos gordurosos, leite e derivados. Substitua por produtos similares à base de soja.

A descoberta das mãos

A percepção do bebê está cada vez mais aguçada. Ele começa a abrir os dedos e descobrir as mãozinhas. É provável que passe um tempão olhando para as próprias mãos e mexendo os dedinhos.Logo, começa a agarrar os objetos e levá-los à boca – outra grande novidade desse período. Neste mês, a boca do bebê é uma das maneiras que o ajuda a conhecer o mundo. Ele ainda não leva os pés à boca, mas adora saborear as mãozinhas, juntamente com brinquedinhos de textura macia que consegue pegar.
A coluna está mais firme. Mais perto do próximo mês o bebê já consegue erguer bem a cabeça, o tronco, esticar os bracinhos e girar a cabeça à procura de objetos coloridos ou sons conhecidos. E começa a descobrir o som da própria voz, em balbucios, como se respondesse quando alguém fala com ele.
Dica do especialista

Escolha bem os brinquedos que o bebê leva à boca. Eles devem ser macios, de borracha, atóxicos e antialérgicos. E nada de peças pequenininhas, que ele poderia engolir.

Com a boca no mundo

Os 3 meses de idade trazem várias novidades: o bebê gosta de brincar de esconde-esconde com a mãe – por exemplo, ela tapa o rosto com as mãos ou se esconde atrás de objetos, e ele responde à brincadeira.Também neste período, ele pode tocar os calcanhares, começando a descobrir os pezinhos. Durante o dia, fica mais ativo, e pode vir a dormir a noite inteira. Uma característica marcante dessa fase é que ele não gosta de ficar sozinho. Reclama e chora quando isso acontece.
Continua colocando tudo na boca, segue os objetos visualmente e tenta alcançar o que lhe interessa, erguendo o corpinho – afinal, agora ele já é capaz de erguer o tórax, mesmo de bruços. A linguagem se desenvolve com rapidez: ele presta atenção e fixa o olhar nos movimentos da boca de quem fala.
Dica do especialista

Uma brincadeira estimulante nessa fase é mostrar objetos coloridos e afastá-los do bebê, de modo que ele tente alcançá-los. Falar com ele bem de pertinho também vai ajudá-lo a perceber as sílabas e estimular a fala.

Caras e bocas

O bebê começa a fazer imitações, principalmente dos movimentos relacionados à boca, ou seja, seus olhos estão bastante voltados ao comportamento oral dos pais. É bem provável que ele se torne um grande “conversador”, bastante sociável e atento a tudo o que diz respeito aos pais e outras pessoas próximas.Neste período, sua musculatura já está mais desenvolvida e ele consegue inclusive levar os pés à boca. Rolar para os lados e sentar com ajuda de algum apoio também são características típicas do mês.
Dica do especialista

Brincadeiras que estimulem o bebê a rolar para os lados são indicadas neste período. Estire um tecido no chão e divirta-se; ele certamente vai soltar muitas gargalhadas.

Ouvido apurado

Não estranhe se a criança começar a morder objetos e o próprio seio na hora da amamentação. O comportamento é uma forma de comunicação que o bebê encontra por ainda não dominar a linguagem: é a expressão da insatisfação, da brincadeira ou da alegria.Isso não necessariamente tem a ver com o surgimento dos primeiros dentinhos, visto que os mesmos podem começar a aparecer tanto no terceiro quanto no décimo segundo mês – depende de cada criança. Em geral, os dentes do bebê surgem mais ou menos na mesma época em que surgiram os primeiros dentinhos de seus pais.
Dica do especialista

A audição do bebê está mais acurada e ele tem capacidade de reconhecer o próprio nome. Para distrai-lo em situações de cansaço, balançar um molho de chaves, cantar uma cantiga ou bater palmas são ótimas opções.

Novidade no cardápio

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde, no sexto mês o bebê já pode começar gradativamente a ingerir outros alimentos, como frutas, legumes, verduras e cereais, além do leite materno.Para descobrir se a criança já está pronta para comer, preste atenção se ela já consegue ficar sentada sem apoio. Isso é sinal de que a musculatura do abdômen já está mais definida e os alimentos, complementares ao leite materno, estão liberados. Os alimentos devem ter uma consistência bem pastosa, pois ainda não há mastigação.
Dica do especialista

Para estimular o vínculo e manter o contato físico entre o bebê e a figura materna na hora da alimentação, ao invés de utilizar talheres, a mãe pode oferecer a comida com as próprias mãos. Vale lembrar que a Organização Mundial da Saúde recomenda que o aleitamento materno seja mantido até o bebê completar dois anos de idade.

Peguei!

Como já consegue ficar sentado sozinho, por volta desta fase o bebê deve começar a apoiar as mãos no chão para se sustentar melhor. Seus ossos e musculatura estão mais rígidos.Geralmente a criança também começa a utilizar o polegar e o dedo indicador para pegar objetos menores, bem como ensaiar “palminhas”.Como no mês anterior os alimentos sólidos entraram no cardápio, procure observar se a mastigação está sendo desenvolvida.
Dica do especialista

Por conta das novidades no cardápio, entre o sexto e o sétimo mês o bebê pode ter episódios de constipação intestinal. Para deixá-lo mais hidratado e minimizar o problema, misture leite materno às papinhas e frutas amassadas.

“Achou!”

As brincadeiras de esconder, nessa fase, são as preferidas. O bebê se diverte muito – e os pais também, com as frequentes gargalhadas.O “não” entra em cena, e ele entende. É comum o bebê parar com uma atividade quando a mãe o repreende. Ele começa a perceber que é um ser separado da mãe, e passa a fazer manhas e protestos, como jogar as coisas no chão.Já é capaz de se sentar sozinho, sem apoio, e consegue pegar os brinquedos que estão pertinho, sem cair para frente ou para trás.
Dica do especialista

Deixar o bebê sentadinho, rodeado de brinquedos, é um belo estímulo nessa fase. Logo ele vai tentar sair em busca do que interessa com as próprias pernas – ou seja, engatinhando.

Descobertas e angústias

Época de um quadro muito comum e esperado na pediatria: a angústia da separação. É neste período que o bebê compreende que é um ser separado da mãe.Não estranhe se ele ficar mais choroso, sobretudo durante a madrugada, pois não se trata de dor física. Os choros noturnos, geralmente curtos e repetidos, estão relacionados ao medo que a criança sente ao acordar e pensar que a mãe pode não voltar mais. Por conta desta angústia, o bebê pode ficar mais amedrontado diante de estranhos e se alimentar menos.Engatinhar é outra grande novidade. Pensar na melhor estratégia para chegar a um determinado lugar ajuda no desenvolvimento físico e intelectual do bebê. A partir de agora, ele domina a “pinça radial” e consegue pegar objetos bem menores com o polegar e o indicador,
passando a explorar bastante todo o espaço em sua volta. Por isso, pode aprontar alguma arte em um piscar de olhos.
Dica do especialista

É importante que a figura materna acalme o bebê sempre que ele acordar chorando no meio da noite. É desta maneira que a criança compreende que a mãe vai sempre voltar. Também é fundamental os pais dobrarem a atenção, pois esse é o mês em que geralmente acontecem muitos acidentes domésticos. Tampe todas as tomadas e tome cuidado com quinas de móveis e escadas, pois o bebê ainda não tem noção de perigo.

Objetos de estimação

Depois que passa a entender que é um ser separado da mãe, o bebê geralmente elege alguns “objetos de estimação“, que em geral associa à figura materna. Essa pode ser uma das características principais da fase: um apego repentino a um bichinho de pelúcia, a um determinado pano ou a um brinquedo. Simbolicamente, a criança passa a carregar o objeto consigo, “mantendo a mãe sempre pertinho” quando ele está mais ansioso.
Dica do especialista

É importante que haja uma triangulação entre mãe, objeto e bebê. Desta forma, a criança vai assimilando e aceitando melhor a ideia de estar, eventualmente, distante da figura materna.

Um novo horizonte

Tudo o que bebê mais quer nessa fase é ficar em pé. Então, ele se apoia em todos os lugares possíveis: na poltrona, na mesinha, na cadeira. É comum a cena em que ele consegue se erguer, mas como ainda não desenvolveu o equilíbrio, cai de bumbum no chão. Esses pequenos tombos, porém, dificilmente apresentam riscos de lesões graves para a criança, uma vez que sua estrutura óssea ainda é pouco rígida e, portanto, o corpo possui maior capacidade de absorver impactos. Além disso, como não tem medo de cair, o bebê mantém a musculatura relaxada e a queda acaba acontecendo de forma mais natural. Vale frisar que estamos falando de pequenos tombos, e não dos que podem ocorrer de superfícies mais altas.
Outra mudança significativa que acontece se refere à percepção visual da criança: se antes ela enxergava tudo do ponto de vista de quem engatinha, em pé seu horizonte se amplia no mínimo 50 centímetros.
Dica do especialista

A Sociedade Brasileira de Pediatria não recomenda o uso do andador. Depois que conseguir caminhar, o bebê pode cair com mais frequência, porque o uso do andador não permite a ele desenvolver a musculatura das pernas de maneira adequada.

Primeiros passos

Se ainda não aconteceu nos meses anteriores, certamente o bebê vai dar os primeiros passinhos agora, ainda que com algum tipo de apoio.Paralelamente surge a crise da ambivalência, que consiste no desejo de ser independente e na necessidade de ser dependente. Como toda crise de crescimento, isso pode afetar o sono e o apetite do bebê.A linguagem continua a se desenvolver. Palavras como “mamãe” e “água” podem ser as primeiras na fase. Há bebês que começam a caminhar e a falar quase ao mesmo tempo, mas é mais comum que uma função seja dissociada da outra.Agora começa uma nova etapa de desenvolvimento, com mais autonomia e capacidade de comunicação.

Dica do especialista

Estimule o bebê a andar pequenas distâncias. Por exemplo: a mãe o segura pelos bracinhos, enquanto o pai espera à frente. Ao dar alguns passinhos, o bebê vai se sentindo mais seguro para encarar caminhadas mais longas.

fonte: delas.ig.com.br